Xadrez - Seguir a lei é fundamental

Para jogar xadrez devemos seguir as leis do xadrez, visto que é fundamental respeitar às regras. Se estas não forem seguidas o jogo não acontece, ou, se o jogo tiver começado, a transgressão às leis pode ser punida com a derrota, e o jogo termina. Simples assim. Mas, neste momento na vida real existe quem pode pôr as leis no bolso, e fazer o jogo da vida seguir, ou, da morte para outros. - “Isso não parece estranho, para você?” Na vida real a vontade do rei mundial prevalece, as nações se calam diante do jogo sujo. Não existem regras ou leis internacionais que o imponha um caminho de racionalidade. A Organização das Nações Unidas parece não existir mais, tudo mudou.


Quando eu era menino, todos nós ficávamos eufóricos diante do aparelho de televisão, para ver aquelas séries de TV que primavam em ensinar os bons costumes, o respeito, a honestidade e a liberdade. Quem lembra do “Daniel Boom”, “Perdidos nos Espaços”, “O Zorro” e outras séries inesquecíveis. Também, tinha o programa na televisão da Disneylândia, que todo sábado à tarde por volta das cinco horas, tinha como apresentador o próprio Walt Disney, com suas palavras iniciais lembrando sobre o que estava por vir nesta tarde. E também, em amáveis palavras vinham os agradecimentos a audiência infantil. Inesquecível era aquela abertura com uma fadinha voando e tocando na tela e as estrelas surgindo, fazia a gente sonhar com o mundo mágico que se abria para mais uma estória colorida, despertando os sonhos de todos meninos e meninas; desenhos animados com lições que premiavam o que era bom e punia o mau.

Os ensinamentos daquelas séries e filmes mostrando a gente que o cavalheirismo e o jogo limpo sempre prevalecia, as histórias com seus heróis que cumpriam as leis e os vilões transgressores das leis, que jogavam sujo para atingir seus fins, sempre encontravam sua punição. Naquelas histórias, não havia lugar para mentira, enganação, trapaça e toda sorte de desonestidade. Em cada programação estavam exaltados os bons costumes. Diante destes filmes, as crianças recebiam os ensinamentos que os povos eram livres e se respeitavam, a democracia era o melhor caminho. A gente cresceu pensando que existiam povos amigos, e que a carta das Nações Unidas eram leis a serem seguidas e eram respaldadas pelos sagrados mandamentos da lei de Deus. Que as pessoas se ajudavam. E todos juntos seguiam em busca de um bem comum, e que o seu sonho estava ali em frente. Que o mundo seria como um “Singin’ in the Rain”, um “Cantando na Chuva”, cheio de esperança que a gente um dia chegaria lá, como a felicidade expressa no rosto de Gene Kelly bailando sob a chuva que corria pela calçada.

Tudo parecia maravilhoso: desenhos animados, super-heróis, musicais e humor, mas a gente vai crescendo e vai percebendo que ao redor existia uma realidade que teimava em mostrar o contrário. Fora das paredes de sua casa a realidade cobrava um preço, para te entregar aquele sonho, e que as pessoas nem sempre estavam ao seu lado. Um mundo em que os índios peles vermelhas e os alemães e seus canhões eram sempre os bandidos, e por sorte estes estavam dominados. Realmente, - “será se esses eram os verdadeiros inimigos?” Depois de encher a cabeça das outras nações com o glamour de suas canções e longas-metragens. - “Cadê o eldorado do velho oeste?” Não é de se admirar que os latinos corram para as fronteiras, e migrem para o país mais rico do continente. Agora existe um movimento contra o que eles mesmo criaram, e demonizam os imigrantes. Eles criam as guerras, que geram refugiados famintos de tudo; e eles os odeiam, e os deportam de volta para as suas origens.

E a gente vai crescendo e estudando matemática, nossa língua materna, ciência e história etc. Seguimos pensando que tudo funciona como um jogo de xadrez, com suas vitórias e derrotas, cheio de surpresas e regras, mas tudo dentro da lei. Não importa a cor das peças a lei é a mesma para todas, dentro de uma retórica cheia de harmonia que impressiona a qualquer um. E voltando para a realidade dos homens, quem se escondia atrás da estátua não era a liberdade, lá existia um apartheid de racismo e preconceitos, para os estrangeiros eles pareciam que eram todos brancos como os mocinhos da televisão.

Que televisão temos! Mergulharam nossa sociedade numa névoa de verdades que só existem nas séries infantis e nos jornais diários que nos mostram. Lembro quando menino o governo caçava seus inimigos internos, subversivos e comunistas. Mas, seguir a lei era preciso. Depois ficamos sabendo que naquela época as leis eram modificadas e manipuladas seguindo a orientação do regime. Anos 60 e 70 que se foram, mas deixaram suas histórias ainda obscuras. Contudo, com o passar do tempo vamos aprendendo que não era bem assim. Mesmo a gente vendo os escândalos mal resolvidos não conseguíamos fazer os nexos entre a quem realmente importava esse tipo de coisa. Lentamente o gelo da ilusão vai se derretendo, e vamos percebendo que existe uma guerra de narrativas. Infelizmente, muitos continuam mergulhados naquele mundo de ilusões das séries infantis e dos filmes em geral até hoje. Porque não nos perguntamos, - “onde está construída Hollywood?”; e também: - “onde estão os prédios das Nações Unidas?” Tudo controlado. - “Qual o motivo das guerras dos anos 50 pra cá?” Estas questões que nos levam a perceber que existe algo além do horizonte, pintado pelas informações que nos chegam. Existe um jogo de palavras em cada programa e texto divulgados.

Lembrando, que o jogo da verdade deve ser jogado, diante de regas bem definidas. No tabuleiro encontramos um rei e uma rainha, e estes monarcas não podem tudo. E quem os manipulam estão sujeitos ao designo da lei do xadrez, no momento que os jogadores entram na sala têm um ritual ético a ser seguido. Assim, deveria ser na vida real, os lobistas e patrocinadores de campanhas dos políticos, que regem nossas vidas, não deveriam impor seus interesses na frente das necessidades coletivas. Mas, não é o que acontece. É muito duro acordar e vê que crianças foram bombardeadas, nada justifica, nada! A lei foi rasgada.

Mesmo com as atrocidades dos últimos dias e transgressões das leis. Sabemos que as leis deveriam valer para todos. Não podemos desistir de melhorar nossa sociedade, e consequentemente, acreditar que podemos buscar melhorar o mundo em que vivemos. Antes de votar nos que fazem as leis, precisamos nos informar mais e melhor, lendo bons livros, procurando ouvir os canais independentes, e desconfiar da mídia tradicional. Precisamos filtrar tudo que eles dizem, e fazer uma seleção, a fim de podermos criar um senso crítico sobre o mundo em que vivemos. Depois buscar votar nos melhores candidatos possíveis, pois eles vão fazer as leis, que devem valer tanto para eles quanto para nós. Sem conotação ideológica.



Autor: Paulo Sérgio e Silva

\PSS



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